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Você é racional? Um mapa para mostrar que não – G1

The Cognitive Bias Index — Foto: Reprodução/The Visual Capitalist

The Cognitive Bias Index — Foto: Reprodução/The Visual Capitalist

Quando tomamos decisões, gostamos de pensar que somos objetivos, lógicos e capazes de avaliar toda informação disponível. É assim, por exemplo, na teoria mais tradicional dos economistas.

Mas o tempo todo na verdade tendemos a muitos tipos de engano, causados pelo que é chamado de “viés cognitivo”, um erro de avaliação quando processamos e interpretamos informações do mundo à nossa volta, afetando nossos pensamentos e ações.

Nas últimas décadas a ciência comportamental tem demonstrado como as falhas em nossa racionalidade afetam, entre outros, nossos investimentos, gastos, alimentação e relacionamentos. Também costumam ter impacto sobre nossa personalidade.

Saber disso é o que torna mais interessante um mapa criado pelo escritor Buster Benson e pelo site DesignHacks.co, que agrupa 188 vieses cognitivos que afetam nossa decisão. O cérebro humano é poderoso e fascinante, mas limitado. Ao tentar simplificar as informações e a tomar decisões com maior velocidade, somos muitas vezes induzidos ao erro.

Tendemos, por exemplo, a simplificar as opções diante de fatos complexos, a superestimar a importância das informações mais fáceis de lembrar e a seguir o “efeito-manada”, seguindo a maioria. Também podemos supervalorizar algumas informações em relação a outras e a buscar confirmar crenças já existentes.

Outro exemplo, dos mais conhecidos, é o viés de confirmação. Se você tem uma opinião formada sobre algo,é difícil mudar depois. Um famoso estudo dos psicólogos John M. Darley e Paget H. Gross, publicado em 1983 no Journal of Personality and Social Psychology, demonstrou que muitas pessoas tendem a prestar atenção apenas à informação de acordo com suas crenças anteriores.

Para comprovar, os dois pesquisadores exibiram o mesmo vídeo – no caso, de um estudante fazendo um trabalho acadêmico – a dois grupos diferentes. Um grupo soube que se tratava de alguém com um alto padrão de renda enquanto outros que o estudante era pobre.

Bastou esta informação para o primeiro grupo concluir que o estudante tinha o desempenho acima da média enquanto o segundo grupo decidiu o contrário. Para os dois grupos, a crença anterior de que o desempenho está ligado à origem social serviu para avaliarem como ele se sairia.

Para criar o mapa, Buster Benson reuniu informações sobre os vieses cognitivos existentes na Wikipedia, mas que estavam espalhados por quase duas centenas de páginas, criando depois uma apresentação visual.

O trabalho atribui o viés cognitivo em quatro problemas básicos: informações em excesso, que levam nossos cérebros a filtrá-las; informações confusas, que nos levam a preencher as lacunas; necessidade de agir rápido, levando a conclusões precipitadas; e não sabermos o que devemos guardar – acabamos tentando reter o mais importante.

Além de curioso, o índice faz você conhecer mais sobre as próprias decisões. E evitar, quem sabe, alguns dos truques mentais que acabam nos prejudicando.