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Maioria dos jovens não vive onde gostaria – e opção de comprar casa ganha força no futuro – idealista.pt/news

A maioria dos jovens portugueses (78,1%) não vive onde gostaria, sendo que dois em cada 10 jovens entre os 30 e 34 anos ainda residem com os pais. E mais: a cultura de ser proprietário em vez de inquilino continua a estar bem vincada no país, já que 87,9% dos jovens gostariam de morar, no futuro, numa casa própria. Estas são algumas das conclusões do “II Observatório do Mercado da Habitação em Portugal”, realizado pela Century 21.

“Em primeiro lugar, o estudo analisou a situação atual dos jovens [entre 18 e 34 anos] sobre o seu grau de emancipação e independência económica, as suas motivações para deixar a casa da família e as suas expetativas de habitação. Em segundo lugar, identificou as características da procura da primeira casa dos jovens que ainda não se emanciparam. Por último, focou-se nas características da procura da futura habitação dos jovens quando, após alguns anos, conseguirem alcançar maior estabilidade económica e profissional”, explica a mediadora imobiliária em comunicado.

Segundo o estudo – foram inquiridas 800 pessoas –, a emancipação dos jovens aumenta com a idade. Na faixa dos 18 aos 24 anos, 31,4% vive fora da casa dos pais, um número que sobe para 67,9% nos que têm entre 25 e 29 anos e que atinge os 81,2% nos jovens com mais de 30 anos, ou seja, dois em cada 10 jovens entre os 30 e os 34 anos ainda residem com os pais.

“As conclusões do estudo demonstram que 78,1% dos jovens entre os 18 e os 34 anos não vive onde gostaria. A razão principal passa pela falta de recursos económicos para a habitação que desejam”, lê-se no documento.

Um terço dos jovens gostaria de viver em casal, numa casa própria

Outro dado a reter que consta no estudo diz respeito ao facto de um terço dos jovens (33,4%) ambicionar morar numa casa própria com o parceiro enquanto 18,5% gostaria de viver sozinho e 1,9% com amigos. “De qualquer das formas, 53,8% prefere uma opção de casa própria enquanto 36,7% se inclina para uma habitação arrendada. Apenas 4,5% optam por habitação partilhada, quer seja arrendada ou própria”, conclui o relatório.

Por faixa etária, a opção por casa própria dispara para 64,5% nos jovens com mais de 30 anos. A aquisição de habitação é a solução apontada por 54,6% dos jovens entre os 25 e 29 anos e cai para 43,2% entre os menores de 25 anos.

Já a preferência pelo mercado de arrendamento é maior nos mais jovens e atinge os 48,1% nos que têm entre 18 e 24 anos, diminuindo à medida que a idade aumenta: na faixa etária dos 25 aos 29 fixa-se nos 36,4% e desce para 25,1% a partir dos 30 anos.

O sonho da primeira casa e a casa ideal

Sobre o sonho da primeira casa, os inquiridos de todas as idades – de ambos os géneros e das diferentes regiões do país – preferem que seja na cidade onde já vivem, uma tendência que é ligeiramente superior no segmento mais jovem e nos inquiridos do Porto.

Quanto ao tipo de habitação, a primeira opção para 44,5% dos jovens é um apartamento, mas a preferência muda para uma moradia nos que têm mais de 30 anos (36,1%) e para 36,6% dos jovens algarvios. 

“Viver num estúdio é a segunda preferência (18,1%) dos que têm entre 25 e 29 anos e dos jovens de Lisboa (14%). Esta opção também é indicada por 17,1% dos portuenses e por quase 15% dos jovens no resto do país. Um estúdio também é mais apetecível 3% para as mulheres do que para os homens”, conclui o estudo.

Igualmente curioso é o facto dos jovens aspirarem ter uma primeira casa com 82,8 metros quadrados (m2). Porém, a dimensão pretendida aumenta com a idade, com os jovens a partir dos 30 anos a desejarem uma casa com área superior a 88 m2. Sobre a tipologia, a preferência recai sobre um T2 com duas casas de banho.

Um futuro de… proprietários

Quando questionados sobre em que tipo de habitação gostariam de viver num horizonte temporal de cinco a oito anos, apenas 12,1% dos jovens se vê a habitar numa casa arrendada, ou seja, 87,9% quer casa própria. A compra de habitação supera sempre os 80%, em todas as faixas etárias e zonas do país. 

O imóvel ambicionado é uma moradia com 110 m2, três quartos e duas casas de banho e a casa ideal estaria localizada numa zona periférica do centro da cidade.

Os jovens mostram-se ainda preocupados com a importância de apostar na qualidade e eficiência na construção. 

“Nas características que mais valorizam na habitação, os jovens demonstram grande coerência entre o que pretendem no presente e o que ambicionam para o futuro. A segurança da zona volta a ser o factor mais importante para 68,2% dos jovens e a qualidade de construção é o segundo aspecto mais relevante a superar agora 60%, quase oito pontos acima da valoração atribuída para a primeira casa. A eficiencia energética volta a ocupar o terceiro lugar, também com mais seis pontos que na primeira casa, o que indicia que os jovens esperam que a futura casa tenha níveis mais elevados de qualidade e eficiencia”, conclui o estudo.